1º Encontro Nacional


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Sábado

Eram três da manhã de sexta feira quando finalmente entrei no quarto da residencial Europa. Tínhamos estado na Associação da Carapalha a ultimar todos os preparativos para o 1º Encontro Nacional do nosso grupo. Entre a preparação dos sacos e toda a logística associada às inscrições, até à revisão da estratégia de paragens e definição de road leaders e vassouras para os quatro passeios que iríamos vir a realizar, a seixa-feira foi curta. O despertador dizia 8h30, mas o relógio já marcava 3h30. Hora de fechar a pestana.

No Sábado de manhã, já na Carapalha, a azáfama fez-se sentir num crescente turbilhão de CRFs que davam à costa em Castelo Branco. Juntei-me ao Mário e à Inês, e abrimos o guiché de acreditação e inscrições. As pulseiras começaram a voar como pãezinhos quentes. O Armando já andava a disparar fotogramas, enquanto que o Valério atava as últimas pontas soltas. Rapidamente a manhã se transformou em hora de almoço, e uma multidão de apaixonados pela CRF estava agora a sentar-se à mesa. Não obstante muitas caras novas, tivemos também o prazer de privar e conviver com algumas ilustres personagens neste meio. O Pedro navegava as mesas como um verdadeiro conquistador espanhol, cultivando amizades e semeando novos contactos.

Sem pré-aviso, fomos todos posto à prova com uma feijoada feita a preceito pelo motoclube de Castelo Branco “Tuku Tuku”. O pão foi caseiro, feito pelas mãos da D. Anabela. As sobremesas causaram remorços, e a mesa de frutas deu espetáculo. Estivemos todos à altura do desafio, e ninguém se poupou a elogios à fantástica iguaria transmontana.

Vila Velha de Ródão

Depois de comida a feijoada maravilhosa, foi hora de agrupar e de rumarmos a Vila Velha de Ródão.

Neste passeio não havia opção de Offroad, e assim, juntámos todo o grupo num passeio com um trajeto delineado a pensar na vertente de estrada das nossas motas.

Um passeio calmo e sinuoso, cheio de curvas como convém, a descer e a subir, serpenteando pela montanha como a malta gosta. Passámos por algumas aldeias onde desfilámos bom gosto. Tivemos o retorno da população que acenava à nossa passagem, agradecendo à sua maneira e como podia, a nossa visita. Eu que ia atrás a servir de “mota vassoura”, tive uma visão particularmente privilegiada. Dei-me conta que por muita estrada que conseguisse ver à minha frente, nunca consegui ver o início da nossa caravana, tal o seu tamanho. Foi lindo.

Neste trajeto o Tiago Rodrigues teve o azar furar o pneu da frente. O problema depressa ficou resolvido, graças ao kit MacGyver para furos do António Carrilho e à muita experiência acumulada entre o Rui Baltazar, o Chico Beiramoto e o Tó Manel. Mais uma vez se provou que estamos cá sempre, uns para os outros.

À nossa espera, e passados aproximadamente 37Km, estava um parque fechado apenas para nós, mesmo à beira Tejo, com umas bebidas para o pessoal degustar enquanto se aproveitava esta primeira pausa para convívio após o almoço. Neste tempo de paragem aconteceu a primeira grande surpresa do passeio. Digressão de barco gratuito pelas Portas de Ródão, amabilidade da Câmara Municipal de Vila Velha de Ródão. Passeio muito agradável de aproximadamente meia hora onde o guia, sempre bem-disposto, nos explicou a origem da formação das Portas de Rodão, bem como da História de Portugal ali vivida na altura das conquistas em que o rio serviu de fronteira. A lotação dos barcos não era suficiente para todos, e foi necessário efetuar duas visitas para que ninguém perdesse a oportunidade de aproveitar a paisagem. Simplesmente maravilhoso.

Honda Racing Corporation

Após o passeio de barco, foi tempo para conviver mais um pouco e partir pelo mesmo tipo de estrada e percurso de volta a Castelo Branco. Aí, juntámo-nos nas Docas Secas para a foto de grupo e reunir antes da Palestra do Paulo Gonçalves na Biblioteca Municipal de Castelo Branco.

Uma tarde muito bem passada, que continuou com o espírito já vivido no almoço e que veio comprovar o que já todos sabíamos, temos um grupo fabuloso de pessoas que apenas se querem dar bem e divertir na mais pura amizade.

Passeio Turístico

Uma das qualidades que caracteriza a África Twin é ser uma ótima mota para viajar, seja sozinho, ou bem acompanhado. Por esse motivo um dos passeios que se decidiu implementar no nosso primeiro encontro nacional foi o turístico ou, como alguns também lhe chamam, o passeio de “estrada”. Desta forma foi possível proporcionar a quem não queria empoeirar os casacos, alguns momentos de deleite pelas magníficas estradas da região de Castelo Branco.

O ponto de partida para este passeio, na zona das Docas, foi o mesmo para os que realizaram os dois passeios fora de estrada. Desta forma, fazendo jus ao espírito de união e amizade, reunimo-nos todos antes de cada grupo seguir o seu percurso. Reunido o contingente que rondava as trinta motas, lá arrancámos em direção aos Escalos de Cima.

Passando esta localidade, rumámos a Idanha-a-Nova onde nos pudemos deliciar com umas belas curvinhas encosta abaixo que ficam mesmo em frente a esta vila. Continuámos, para a primeira paragem do passeio, junto ao paredão da barragem de Idanha-a-Nova, onde fomos presenteados com uma viatura, à nossa espera, com umas águas para um ou outro companheiro mais encalorado.

O Deleite Gastronómico

Feita a pausa, arrancámos em direção a Idanha-a-Velha, onde estava montado um reabastecimento em plena feira. À disposição da malta, tínhamos um cafezinho daquele tempo das nossas avós, acompanhado por bolinhos caseiros, sumos e um belíssimo presunto, cortadinho ali no momento, bem casado com um saboroso pão caseiro. Só saiu de lá com fome quem quis.

Monsanto

Retemperadas as energias, era tempo de rumarmos à aldeia mais portuguesa de Portugal por uma bonita estrada que serpenteava junto à vertente sul de Monsanto. Aí chegados, era tempo para mais uma pausa. Estacionámos as motas no parque à entrada da aldeia, aproveitámos para mais umas fotografias e esticar um pouco as pernas. Oportunidade ainda para conhecer um grupo de três companheiros, irlandeses, que andavam a percorrer a península de mota. Duas CB500X e uma CRF1000L. O mais “jovem de espirito” contava já setenta e seis anos. Fantástico exemplo da paixão por viajar de mota.

Pausa terminada, tempo de deixar Monsanto para o último segmento da viagem, onde tivemos oportunidade de passar por S. Miguel de Acha, Orca e Lardosa.

Foram cerca de 130kms onde saboreamos encostas sinuosas, troços mais estreitos no meio de pinhais, túneis de árvores e retas que entrecortavam a planície beirã e convidavam a avivar um pouco mais o ritmo. Passámos por algumas das mais belas aldeias e vilas da região. Esperamos que tenha sido do agrado de todos.

Um agradecimento especial ao Nelson do motoclube “Os Tuku Tuku”, ao Mário Correia que ia a fazer de “vassoura”, ao Tiago e Élia que não se cansaram de fazer piscinas para encontrar o melhor enquadramento para “bater umas chapas” à malta, bem como a todos os companheiros de equipa que ajudaram a preparar o passeio.

Fora de Estrada

Após o último reconhecimento do percurso fora de estrada em Castelo Branco, ficou bem assente que o nível de dificuldade era baixo e acessível a todos. Contudo, no meio do percurso tínhamos uma surpresa preparada para os participantes, tanto do nível 1, como do nível 3, pois a primeira parte do percurso era partilhada pelos dois passeios. A única dificuldade presente no traçado escolhido iria ser o pó, mas que apesar da falta de visibilidade que provoca, deixou-nos imortalizar o momento da travessia do rio Ocreza, num enquadramento fora de série.

Novatos e experientes arrancaram no domingo às 9:30, liderados pelo Valério Gonçalves, que em conjunto com o Hugo Ramos, abriam o caminho a toda a velocidade. Na retaguarda tivemos uma grande equipa que apoiou quem mais precisou em todos os momentos. A caravana foi heterogénea em experiência e homogénea em espírito. Foi vivida uma verdadeira camaradagem entre todos, e quando, no início do percurso, um companheiro resolveu fazer uma incursão em direção às silvas, todos pararam para ajudar e voltar a meter a mota no caminho. O médico de serviço deu o aval para que se continuasse o passeio. Mais um obstáculo era transposto. Os estradões deram lugar a trilhos, mais sinuosos, e o pó começou a pairar no ar.

A Travessia

No meio do percurso tivemos a primeira travessia do rio Ocreza, onde estava de serviço o nosso fotógrafo Armando Polónia. Uma descida pelo vale, vários cotovelos, e uma passagem de água com direito a fotografias individuais, para logo depois sermos presenteados com uma subida picada bastante divertida. Os mais experientes abriam o acelerador ao máximo, enquanto que quem estava a dar os primeiros passos ficou a conhecer a facilidade com que a CRF come terreno irregular.

O Reforço Alimentar

Alguns estradões depois, e porque não só de andar de mota vive o homem, chegamos ao reforço do pequeno almoço. Na Serrasqueira tivemos direito a um verdadeiro banquete, com pão caseiro, presunto fatiado no momento, bolos caseiros e bebidas à descrição da sede de cada um. Reunida de novo toda a caravana em torno dos manjares, partilharam-se as experiências vividas nos 30 quilómetros acabados de realizar. Para o nível 1, este seria o final do passeio, com o regresso a Castelo Branco realizado por estrada. Contudo, a confiança que muitos ganharam durante este passeio, deixou água na boca para o restante percurso, dedicado ao nível 3, pelo que algumas casacas foram viradas.

Nível 3

A segunda parte do percurso apresentou-se mais técnica, com algumas surpresas pelo caminho e uma segunda travessia do Ocreza, desta vez mais desafiante. De novo, o Armando Polónia esteve presente para capturar o momento. E mais uma picada, desta vez ainda mais exigente. Novatos e menos novatos nas andanças do nível 3, todos subimos, e sempre com um sorriso na cara, ainda que por vezes coberto por pó. No final, e na chegada a Castelo Branco, não houve diferenciação nenhuma entre os dois passeios – fomos todos fora de estrada, e não deixamos ninguém para trás. Chegámos cansados, sujos, malcheirosos, mas muito felizes. Mais uma vez o motoclube de Castelo Branco “Tuku Tuku” a mostrar o verdadeiro espírito motard, tendo já preparado um lanche, com os remanescentes dos reforços dos pequenos almoços na zona das Docas.

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Obrigado ao Nuno Baptista pelo vídeo.

Manuel Duarte

Sou de Cascais e descobri há pouco tempo o gosto de andar de mota. Sempre que posso gosto de pegar nas duas miúdas (a “Maria” e a AT) e partir estrada fora…