Pego do Altar


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A Barragem do Pego do Altar – originalmente batizada “Barragem Salazar” – é uma barragem situada na ribeira das Alcáçovas, na bacia do rio Sado, na freguesia de Santa Susana (concelho de Alcácer do Sal) em Portugal.

A então Barragem Salazar foi construída em 1949, durante o Estado Novo, tendo em vista o aproveitamento das águas para a agricultura no vale do Sado (arrozais de Alcácer do Sal) e para a produção hidroelétrica. A sua albufeira é, hoje em dia, um ponto de elevado interesse turístico, sobretudo para a pesca desportiva.

Devido ao estado de seca que estamos a viver em Portugal, esta barragem está agora praticamente vazia, onde se pode ver uma ponte do século XVIII que estava submersa desde que a albufeira foi tomada pela água da ribeira. As chuvas aproximam-se, e com elas o início do fim da seca. O grupo aproveitou a desculpa para mais uma saída por fora de estrada.

Pessoal 5 estrelas

Neste passeio estivemos muito bem representados, com tricolor, dakar, bordeux, preta e até uma mítica XRV. Tivemos quem estivesse a pisar terra pela primeira vez e também quem já tivesse vivido muitos invernos nestas lides – o Filipe Matos com 52 anos, que com três hernias discais e a comprimidos para a constipação nos mostrava como é que se rola numa CRF no campo, depois de ter decidido vir andar connosco em lugar de ir ao médico. Disse que no final do dia, já lhe tinha passado tudo. Outras caras mais familiares estiveram também presentes, e tivemos direito também a um direto do Escape mais Rouco do nosso amigo Pedro, com uma entrevista ao Armando que podem ver aqui.

 

O Jorge Desirat pela primeira vez levantou vôo na CRF, e como a sua preta é bastante fotogénica (lembram-se da foto do Encontro Nacional?), os registos fotográficos (para breve) ficaram também à altura.

Estávamos 8 nas BP à hora marcada, e quando nos despedimos em Álcacer éramos ainda oito.

Parte I – Estradões

Com um track já testado, os pneus tocaram na terra em Rio Frio, no mesmo sítio que na Rota das Bifanas, mas desta vez sem areia. O percurso neste segmento foram estradões batidos, e uma ocasional curva de 90 graus. Retas a perder de vista, desta vez algo escorregadias devido às chuvas, pelo que se moderou o pulso direito. Mais à frente o terreno melhorava, e já se rolava na centena de quilómetros horários, tranquilamente, com curvas ligeiras.

Parte II – A Barragem

O leito da barragem, agora a descoberto, é um incrível espaço multiusos para o que se quiser fazer. Assim que chegamos, começaram a saltar pedaços de lama para ar, os motores cortavam em primeira e a terra ficava riscada. Ao fundo, um par de noivos regozijava-se numa sessão fotográfica, no mínimo original. Com alguma sorte, em algumas das fotos, aparecerá uma CRF em powerslide.

 

Decidiu-se explorar um dos trilhos que saía do outro lado da ponte, para apenas encontrar um trilho com alguma pedra, que nos levou até a uma quinta onde fomos obrigados a voltar para trás, por um agricultor de moto serra em punho.

Parte III – Rumo a Alcácer

Depois de almoço, e de algumas chamadas algo fervorosas de algumas esposas, falava-se em voltar o mais rápido possível. Afinal de contas, um passeio matinal teria-se arrastado até às 15h30. Contudo, como nestes dias parece existir uma alergia ao alcatrão, encontrou-se um trilho no wikiloc que nos levou de Santa Susana para Álcacer do Sal por caminhos de terra. Caminhos esses que com o cair das tímidas chuvas estavam enlameados, com poças e algumas subidas escorregadias. A lama saltava dos pneus, as curvas faziam-se de lado e os sorrisos não arredavam pé das faces do pessoal. Ainda houve dois amigos que resolveram desmontar das burras ao estilo aventura, na lama, com certeza para capturar melhor o momento de um ângulo horizontal.

Com alguma pena chegámos a Álcacer, onde paramos para abastecer, e daí em diante foi alcatrão até casa.

O Mítico Almoço

Andar de mota é bom, com os amigos é melhor e com almoços destes rebentamos a escala. Em Santa Susana o Sr. Rui Coelho ficou-nos a preprar o almoço enquanto fomos explorar a barragem. À hora de sentar à mesa tivemos uma entrada de cachola e iscas, com uma saladinha de polvo, com pão alentejano. Seguiram-se umas bochechas, feitas nesta casa com osso, para “exponenciar o sabor”, nas sábias palavras do Sr. Coelho. E que senhor, porque depois trouxe para uma mesa um tacho de cabidela feita a preceito, e ainda um prato de enguias fritas, apenas para petiscar.

    

Ainda se acabou com um pijama de sobremas, caso existissem dúvidas de que alguém ainda podesse ter fome. Difícil foi sair dali, mas ficou a promessa de um regresso, tal foi a qualidade do repasto.

O Trilho – em desenvolvimento

Queremos deixar um agradecimento especial ao António Carrilho pelo seu trabalho pioneiro de delinear o percurso para nós pelo google maps, que devolvemos agora, concatenado com o regresso que fizemos até Álcacer.

 

Vejam as fotos todas em baixo na galeria.

 

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Filipe Guerra

Nascido e criado na Margem Sul. Nas horas vagas dedica-se a explorar outras paragens. Quis tirar uma Licenciatura com Mestrado Integrado em BTT, não havia, então licenciou-se em Eng. Informática. Hoje em dia dedica-se a que existam menos ataques cardíacos por causa do SAP. Já teve várias bicicletas, e algumas motas, entre elas: PCX, NC700XD, VFR800X Crossunner e CRF1000L Africa Twin.