Prmeira Experiência Offroad


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O Motivo e o repto

Como é sabido, neste ano de 2017 o nosso país foi fustigado por uma seca severa. São frequentes os casos de rios com caudais quase inexistentes, bem como albufeiras bem abaixo dos 10% de capacidade.

A albufeira do Pêgo do Altar não foi exceção e despertou curiosidade com o reaparecimento da ponte há muito submersa.

Muitos foram os que aí rumaram para observar os contornos da nova paisagem. Depois de ter visto fotos de uma ida da malta aqui do grupo, fiquei cheio de vontade de lá ir e, mesmo tendo decidido quase em cima da hora, decidi lançar o repto no nosso grupo.

O António Carrilho disse logo “presente” e o Francisco Pulawski, já quase meia-noite de quinta, pegou no telemóvel para me dizer “Manel, podes contar comigo.

A ida

O António Carrilho lançou o convite para iniciar o passeio a partir dos trilhos de Rio Frio. Porém, preferi “jogar pelo seguro”. Afinal era a minha primeira incursão offroad pelo que combinámos o encontro já na albufeira.

(Quase) À hora marcada, com um “ligeiro” atraso de meia hora, lá apareci no ponto de encontro habitual com o Francisco, para seguirmos até Alcácer. O percurso tranquilo, foi feito pela monótona A2. O objetivo era chegar a horas ao local combinado. Fez-se uma paragem em Alcácer para um café e um pastelinho de nata e, à hora combinada, lá estávamos com o António Carrilho junto à ponte descoberta. Demos umas voltinhas por ali, parámos junto a uma oliveira para apreciarmos a paisagem.

Olha! Vem ali uma mota. É pá, é uma AT Rally! E pronto, o grupo passou de três a quatro com a presença do Tó-Zé Meira.

O Offroad

Mais uma voltinha, mais umas fotografias e “‘bora lá até ao Escoural?”

E eu cá para os meus botões… “Já me lixaram a cabidela!

Vamos a isto… nem que seja a 10Km/h com os pés de rojo.

No início tem um bocadinho de pedra, mas faz-se.” dizia o António…

Se tem um bocadinho deve ser só calhau. Siga. Não há de ser nada, pensava eu.

E lá arrancámos.

Passámos uma zona com alguma pedra, mas sem ser solta. O piso era áspero, mas relativamente homogéneo. Lá fui eu com “punhos de renda”. Afinal era a minha primeira vez, ainda para mais com pneus e pressão de estrada.

O António, o Francisco e o Tó-Zé lá iam, de vez em quando, parando para reagruparmos. O combinado era reencontro nas bifurcações. Se por acaso vissem que eu demorava muito, um deles voltava para trás.

Seguimos caminho, veio uma subida ligeiramente mais inclinada, daquelas em que pensei “deixa lá ver se encontro o meio-termo entre velocidade e aderência” e lá se passou.

Nas zonas que me pareceram mais escorregadias ia com mais cautela, mas numa ou noutra zona ainda deu para dar uma ou outra aceleradela para ver como se comportava a mota com o controlo de tração no nível 2.

 

A bolsa perdida do Francisco

A dada altura encontro o Francisco parado que me perguntou “Viste a minha bolsa?” “Qual bolsa?” Perguntei eu… A bolsa que já tinha ameaçado cair no final da A2. Desta vez resolveu mesmo saltar em andamento. Combinamos eu ir ter com o Antonio e o Tó-Zé enquanto o Francisco voltava para trás para a procurar.

Meia hora bem medida já passada, resolvi dar um ligadela ao Francisco só para saber se estava tudo bem. “Estou Manel? Sim estou bem, da bolsa é que nada. Espera… Olha, em boa hora me ligaste. Parei para atender o telefone e está aqui mesmo ao pé. Estou a vê-la!“.

Seguimos viagem. Estradões amplos de areão compactado, um trilho mais estreito ladeado por erva bem verdinha, uma poçazita ou outra com poucos centímetros de lama, compuseram o cardápio. Com jeitinho lá ia tentando acompanhar o resto da malta que pacientemente ia esperando por mim. Aquilo para eles era uma autoestrada e eu tentava que não se tornasse num Cabo das Tormentas.

Descontraidamente chegámos a Santiago do Escoural, não sem antes termos apanhado um susto com uns cães que se meteram à nossa frente, aproveitando uma abertura na rede do monte onde moravam. O Francisco não conseguiu evitar o toque num dos bichos mas sem consequências.

No Manuel Azinheirinha retemperámos forças para depois regressarmos a casa via EN2 e EN4. O António Carrilho frisava o cariz multifacetado das nossas motas… tão depressa “curtíamos” a terra como a seguir nos deliciávamos a percorrer as curvas da nacional.

E assim foi a minha primeira experiência offroad.

Espero que venham muitos mais passeios.

Um agradecimento especial ao António, ao Francisco e ao Tó Zé pela companhia e preciosas dicas.

Bem hajam!

Manuel Duarte

Sou de Cascais e descobri há pouco tempo o gosto de andar de mota. Sempre que posso gosto de pegar nas duas miúdas (a “Maria” e a AT) e partir estrada fora…