Offroad de Natal


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Encontro num dos lugares habituais: bombas de gasolina do Montijo no dia 23 de dezembro. O repto lançado pelo Filipe Guerra propunha um percurso de 202 Km até Montargil. Esse enorme parque de diversões para quem gosta de experimentar areia sem picardias com árvores, regos ou picadas.

Colocado o desafio na página do FB, logo surgiram, como é habitual e sensato, perguntas e dúvidas sobre a adesão ao passeio. Dá para fazer com pneus de estrada? Acham que com pouca experiência posso ir? Dá para ir com a minha mota? Incertezas sempre difíceis de esclarecer, mas que numa abordagem mais conservadora eram respondidas com um “claro que sim” ou com um “se calhar é melhor não ir”. No entanto a vontade dos hesitantes era espicaçada com a expetativa de um percurso rolante. Expetativa não é certeza, como se verá mais adiante! Não só a mãe natureza muda o piso dos trilhos a seu bel prazer (já vimos a reta de Rio Frio com areias bem diferentes), mas também aqueles que dela usufruem têm travadinhas e mudam de ideias a meio dos percursos. Plano é plano e não uma obrigação.

Se a memória não me falha, compareceram 9 motas. O Elias Alves na sua Ténéré 660, O Filipe Matos e o filho Tomás, respetivamente na CRF 1000 e Yamaha WR 125, o Sérgio Pereira numa CRF 1000, o Armando Polónia, imagine-se, numa CRF 250 Rally, O Pedro Ventura na sua CRF 1000 ATA que chegou com um andar esquisito nas sua botas novas, O Paulo Murteira e o Ricardo nas gloriosas XRV’s 750, o Filipe Guerra e mentor do passeio, obviamente na CRF 1000. A nona mota era a minha, uma CRF, mas desta vez uma 250 Rally.

Entrada na reta de Rio Frio. As chuvas de dezembro apresentam-nos uma autoestrada de areia. Ok, é sempre a rolar. E assim foi, com paragens aqui e ali, nas bifurcações, com momentos de espera e cavaqueira para os andamentos menos rápidos. De espera em espera e de conversa em conversa surge a ideia de rumar às iguarias de Vendas Novas. Nas conversas, o Ricardo, assistia sempre de forma discreta às ideias e opiniões que iam pululando no parlatório. Homem batido no enduro, com lugares de topo alcançados, confessava em voz baixa junto de mim, a propósito das desfeitas sobre algumas suspensões que por ali andavam: este pessoal é muito exigente, haviam de andar na XR 600 com que fiz o nacional!

Vendas Novas? Pronto! Lá se foi o track planeado e inserido nos GPS’s! Um telefonema para o Jorge Espadinha e, quando chegámos, já lá estava à nossa espera com a sua nova CRF 1000 Dakar.  Antes e depois da bela da bifana, momentos houve em que o percurso de rolante tinha pouco, apelando à perícia mais trialeira de cada um. Para o Sérgio Pereira tanto fazia, que aquilo era sempre a dar-lhe gás, com umas botas Hi-Tech, personalizadas e muito difíceis de encontrar no mercado. O Paulo Murteira encantava-se com a dança sinuosa dos trilhos, que as curvas, contra-curvas e charcos de água a isso obrigavam. O Jorge Espadinha, depois de um interregno do offroad, lá ia rabiando a traseira, com pneus de estrada, deliciado com o som que a ponteira do modelo 2018 fazia. Mesmo com pneus de estrada não lhe perdeu o jeito, sempre a dar dicas ao Pedro Ventura. Um senhor este Pedro Ventura. Porventura aquele que menos experiência tem de offroad, aventurou-se com a montada menos fácil. São praticamente 250Kg de AT! Foi indiscutivelmente o Homem do passeio, granjeando a admiração de todos pela sua tenacidade. That’s the spirit! A entre ajuda permitiu a superação das dificuldades que aqui e ali foram surgindo. O Sérgio Pereira lá conseguiu pôr a mota do Filipe Guerra a trabalhar de “empurrão” com a ajuda da empresa de reboques Murteira&Polónia a levá-la rampa de terra acima. Não sem antes fazer um telefonema para o Valério. A confiança neste homem nas alturas de aflição é infinita. Vá-se lá saber porquê 😊 A bateria não aguentou as mordomias eletrónicas que a mota do Filipe levava. Pegou em 2ª com uma boa cuzada do Sérgio no assento para garantir a tração atrás. Voltou a cantar. Uns metros à frente já o Valério se juntava ao grupo.

Moral da história, chegámos ao Cabeção com a cozinha do restaurante já fechada para o almoço. Valeu a disponibilidade dos proprietários para uns pica-paus. Repostas a calorias que as bifanas já se tinham sumido, a tarde já ia adiantada, pelo que se realizou o regresso a casa por estrada. As areias de Montargil teriam que esperar por 2019. Despedidas feitas, desejos de boas festas partilhados, cada um regressou em condições de atacar as iguarias da consoada na noite do dia seguinte.

Parabéns a todos pelo magnifico dia. O adjetivo é o habitual: grupo 5 estrelas.

Até Montargil ou anywhere em 2019!

 

Francisco Rodrigues

Aos 18 anos não tinha carro e tinha uma 125cc. Dezasseis motas e mais de 40 anos depois ainda não tem carro, … mas já teve uma XRV e hoje tem uma CRF!