Enogastronómico


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Encontro marcado às 9:15, dia 19 de Novembro de 2017, nas bombas de gasolina da BP de Fernão Ferro, mas como a vontade era muita, às 9:00 já lá estavam mais do que uma mão cheia de companheiros.

Último passeio do ano de 2017 e em modo Enogastronómico. Nos apertos de mão e beijos notava-se que o verão já tinha ficado para trás. Estava fresquinho, bastante fresquinho para quem veio de mais longe, e fresquinho se adivinhava lá mais para a hora do regresso a casa.

Cumprimentos mais efusivos de quem já tinha estado junto nestas e noutras andanças, e um pouco mais cerimoniosas para quem se via pela primeira vez sem ser pela net. Bom sinal! Tínhamos caras novas e ao vivo.

Desfile de Rainhas

Pouco depois das 9:30 o grupo estava composto. Se a memória não nos falha, 27 motas, 45 pessoas. Mas como o que o pessoal gosta mesmo é de motas, são sempre bem-vindas marcas e modelos distintos da CRF 1000. As 28 AT’s, uma delas XRV 750, tiveram como parceiras GS’s (1200 e 700), XTZ 1200, uma KTM 1290S, uma CBF 600 e uma imponente Goldwing do amigo José Sardinha, também ele proprietário de uma CRF 1000. A pendura agradeceu esta opção. Grupo de gente madura, não na idade, mas no espírito, que não se abespinha nem se perde em conversas de “a minha mota é melhor do que a tua”.

A cavaqueira antes da saída, pautou-se pela originalidade dos temas: pneus, consumos, crashbars, faróis, autocolantes, …, é pá areia é que é, é pá areia é que não! Pois bem, não há areia para ninguém, nem terra sequer, que o passeio é On Road e ala que se faz tarde.

E assim foi, poucas palavras para reconfirmar quem estava e se não faltava ninguém, dizer quem ia à frente, quem ia atrás e onde se parava, e rumámos todos em direção à primeira paragem.

Cabo Espichel Fotogénico

Aí chegados, perfilaram-se as motas todas.

Alguém recuava, recuava, recuava para tirar a foto de família, e exclamava:

 caramba, não consigo apanhar todas!

Não há problema, o Nuno Silva saca de um drone, e aí está ele a sobrevoar. Ok, problema resolvido!

Havia, no entanto, uma fotografia obrigatória. Estávamos a fechar o ano com uma estreia. Nunca até então tínhamos reunido as cinco cores das CRF’s 1000. Abundam a Tricolores na esteira das primeiras XRV 650 e 750, depois as Rally, a seguir as Pretas, mas também tivemos uma cinzenta e uma recente Candy Red. Tirada a foto, era forçoso que a XRV 750 presente se juntasse à fotografia. Afinal, ela é a responsável, com muitas culpas no cartório, por esta lenda. O amigo Alexandre Murteira transpirava orgulho!

José Maria da Fonsenca

Às 11:30 tínhamos que estar nas caves José Maria da Fonseca, para uma visita que ameaçava estimular o olfato, o paladar e o olhar. Saímos por isso a caminho da vertente “Eno…”. Azeitão, assim chamada pelos extensos olivais que desde a ocupação árabe dominaram aquelas paragens e que acolhe a casa mãe das Caves, recebeu-nos e lá arranjamos lugar para estacionar as montadas. Os de apetite mais voraz, já falavam das tortas.

Iniciamos a viagem pelo universo José Maria da Fonseca, orientada por um jovem da casa, que devia falar da história das Caves pela milionésima vez, pelo que a narrativa correu de forma fluída e escorreita, apimentadas pelas humoradas intervenções do José Sardinha.

Uma Visita aos Sentidos

O percurso iniciou-se pela Casa-Museu com uma explicação sobre a história da empresa, que apesar da projeção adquirida no mercado, mantém-se orgulhosamente familiar. Destacaram-se por isso os nomes de várias gerações, desde o início dos quase 200 anos de história até aos dias de hoje. Os prémios e distinções alcançadas figuram nas paredes desta casa, assim como os primeiros artefactos utilizados na comercialização do vinho. Os nomes Periquita e Moscatel foram incontornáveis. Seguiu-se uma breve visita ao espaço exterior, onde se podiam observar exemplos de vinhas de diferentes castas. Após os jardins, passámos a um dos momentos altos da visita: as antigas adegas. Entrámos num registo muito particular de luminosidade e odores. Percebemos que a madeira dos barris faz toda a diferença. Na adega dos Teares Velhos vimos repousarem os mais antigos Moscatéis de Setúbal, alguns dos quais autênticas relíquias com mais de 100 anos. Os preços são a condizer. E se a uva for roxa com a designação SS, Upa, Upa!

No final, fomos brindados com uma prova de Periquita Reserva, rematado com um Moscatel de Setúbal Alambre. Fez-se um brinde, em linha com um contexto de bebidas graduadas, não à aguardente CRF, mas a uma casta das africanas, logo corrigido pelo Armando Polónia por um levantar de copos às CRF’s e também às outras.

À saída, alguns continuavam com a tortas em mente, pelo que foi só atravessar a rua.

Serra do Louro, São Luís e Arrábida

Fomos a caminho da vertente gastronómica, Serra da Arrábida a dentro, por estradas franqueadas pela vertente sul da serra. Foi um percurso porventura menos conhecido, com menos movimento face aos trajetos dos passeios mais habituais, com vista para o mar. Optámos por caminhos mais estreitos, sinuosos, num sobe e desce, ou não se tratasse de uma serra. De certeza que na retina ainda perduram alguns momentos, de descidas, com motas a perder de vista e as encostas pintadas de verde como pano de fundo.

Estacionados em Setúbal, entramos no resturante Restinga que a barriga já se colava às costas. Venha o peixe de Setúbal e, para entrada, o famoso choco frito. Até alguns que pediram carne lhe deram umas dentadas. Seguiram-se carapaus, sardinhas, besugos, alcorrazes e massacotes como só em Setúbal se comem. Como bons portugueses que somos, foi o momento de convívio por excelência. A sobremesa não pecou pela diversidade nem pela quantidade, mas o dia estava ganho.

Terminadas as sobremesas e o café para quem o tomou, havia que regressar a casa. Évora, Castelo Branco, Torres Vedras e outras zonas mais. Como se anunciava no início desta jornada, o fresquinho já espreitava.

Obrigado, e Até para Ano!

Para o ano, que é já daqui a pouco, há mais, com algumas ideias a fermentar.

Participantes 5 estrelas num grupo onde cada um toma conta de si e todos tomam conta de todos.

Esperamos que sejam abençoados pelo Pai Natal  🙂  e excelente passagem de ano.

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Francisco Rodrigues

Aos 18 anos não tinha carro e tinha uma 125cc. Dezasseis motas e mais de 40 anos depois ainda não tem carro, … mas já teve uma XRV e hoje tem uma CRF!