Rota das Migas


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Um excelente dia de sol e uma manhã fresca criava a expetativa de um belo dia para andar de mota. Malta reunida no ponto de encontro (Bombas da BP no Montijo) e, já um pouco depois da hora prevista, fizemos o briefing com 18 motos para o passeio offroad. Porém, com os companheiros que foram ter ao Restaurante, ao almoço éramos 27. Mesmo para os renitentes do Offroad, ou para aqueles que querendo, não puderam vir pelas terras, as migas falaram alto!

Camaradagem & Percurso Rolante

Nove e vinte da manhã e arrancávamos para uns belos quilómetros por fora de estrada até ao Cabeção – local do repasto. Alguns viram a pressão dos pneus antes de arrancar, e o Jorge Sobrinho, o último a ver a pressão, quando já estávamos todos a partir, disse para irmos andando que já nos apanhava, pois tinha GPS e o track no telemóvel. Tínhamos uma tirada de 26 km pelo alcatrão até Santo Estevão. Quando deixamos a BP e estávamos a entrar no IC, vimos o Jorge passar por cima do viaduto pela N4. Algo estava errado pois o track não era por ali. Chegados ao início do track em Santo Estevão, fizeram-se as últimas preparações, desta vez não na pressão dos pneus, mas na pressão das bexigas, enquanto esperávamos um pouco para ver se o Jorge chegava. No entanto, do Jorge Sobrinho nem sombra, pelo que nos fizemos ao caminho, que as migas não se coadunam com atrasos.

Arrancámos e começámos a rolar bem. O percurso, dada a ausência de chuva, apresentava o piso mais solto, com mais areia, do que na altura do reconhecimento, mas ainda assim, muito ligeiro, não atrapalhando ninguém ao longo do trajeto. Fizemos mais uma ligeira paragem para reagrupar, numa transição pelo alcatrão, e continuávamos a não ver o Jorge! O grupo continuava a rolar bem, os estradões a isso convidavam. Uns quilómetros à frente, antes da linha caminho de ferro, fizemos mais uma paragem para fotos e para reagrupar, e eis que …, já lá estava o Jorge na cauda do pelotão. Ao que parece, a tecnologia não colaborou, atrasando o Jorge. Mas já estava junto de nós e isso é que interessava. Nesta paragem já se via a satisfação da rapaziada com o percurso, muito rolante, ótimo para quem se iniciava nestas andanças e excelente, também, para lhe tomar o gosto – era o que se pretendia. Arrancamos novamente agora para o troço mais longo, até Mora. Eram quase 50 km praticamente sempre em estradão de terra batida. A paisagem era muito agradável e ritmos mais animados foram atingidos. O agrado era geral e notório. Até agora, tudo a correr às mil maravilhas e sem qualquer stress.

 

Problemas Técnicos

A hora de almoço aproximava-se. O percurso de estradão longo estava a terminar e iríamos entrar numa zona, já mais no interior, onde o track deixava de ser estradão e requeria um pouco de mais atenção. Uns metros antes da Ribeira, numa descida um pouco mais técnica, houve um percalço e o Tomás assustou-se um pouco, quando a sua WR125 enfiou a roda da frente num rego de água. Este susto valeu-lhe uma queda sem consequências de maior para ele (apenas uns pequenos plásticos partidos). Com a queda do Tomás, também o Pedro que seguia atrás dele foi ao chão. O grupo parou. Averiguou-se que não havia mazelas, só o susto e estava tudo a postos para continuar. O grupo da frente lá foi andando e atravessando a Ribeira, mas deu-se conta que alguns não apareciam. Com a queda do Pedro, o disco esquerdo do travão da roda da frente empenou e não estava fácil dar a volta ao assunto. O Pedro lá se meteu ao caminho com o disco a fazer muito pressão nas pastilhas. Estávamos perto da N2 antes de Mora e a ideia era chegar à N2 e chamar o reboque. Um par de quilómetros mais à frente, parámos novamente. Mãos à obra, o Pedro resolveu tirar a maxila do disco e assim retirar a pressão que se fazia sentir – claro está, que se acabava o travão da frente. Mas assim já conseguia prosseguir caminho até Lisboa para aí resolver o assunto.

Nos entretantos um grupo de 5 continuaram para fazer o track na sua totalidade. Os restantes, aguardaram até se fechar a “oficina móvel” e fizeram a escolta do Pedro até à estrada Nacional. O Pedro seguiu para Lisboa já em Mora, e nós rumámos ao Restaurante, dado o adiantado da hora, pois já não fazia sentido continuar o track àquela hora. Por esta altura, o Jorge Espadinha e o Filipe esperavam por nós junto aos cromeleques para as fotografias da praxe, pelo que os informámos que apenas 5 iam a caminho pelo track e que os restantes iam diretos para o Restaurante.

 

Migas de Espargos, Carne de Alguidar e Bacalhau da Avó

Marcavam as 13h da tarde quando chegávamos ao restaurante e já os companheiros que foram ter diretos, por asfalto, aguardavam por nós (tínhamos ficado de aparecer por volta das 12:30 / 13:00). Os outros 5 elementos que estavam a terminar o track chegaram um pouco depois. Na chegada ao restaurante, a rua, quer de um lado quer do outro, estava repleta de motos. Para além do nosso almoço havia outro, também de motociclistas, num número bem maior que o nosso. Iniciadas as entradas, seguidas de um maravilhoso creme de legumes com ovo, encaixámos um delicioso bacalhau da avó e as migas de espargos com carne de alguidar, já tiveram dificuldade em arranjar espaço para se acondicionarem.

Areia para Todos

Findo o almoço, era hora de regressar. Alguns voltavam para casa, outros ainda foram fazer a digestão para os lados de Montargil. Foi um final de tarde muito bem passado antes de regressar a casa. Havia areia com fartura, para poder brincar sem receios de estragos de maior no caso de queda. Houve oportunidade para tudo: slides na areia, drives na “cabrita” verde do Francisco, fotos de toda a maneira e feitio, com incursões na água da barragem a jeito de ver se a AT tinha guelras. Um local que podemos dizer ser um autêntico “parque de diversões”. O sol já ameaçava esconder-se, pelo que era hora de ir abastecer e de nos metermos a caminho de casa.

 

 

 

O regresso era livre e por estrada e alguns vieram num ritmo mais animado (obrigações familiares assim o exigiam). Ficou o sentimento de um dia muito bem passado, com um final épico.

Ficou a pergunta no ar: quando é o próximo?

Antonio Carrilho

Nascido em 1972, é desde tenra idade grande aficionado pelo mundo das duas rodas.
Andou sempre por caminhos asfaltados até que no final de 2015 decidiu também começar a
explorar a continuação da estrada apartir do local onde terminava o asfalto